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Orientadora Marisa Freitas
Orientação educacional
Regras de convivência 2016- 2018

Quem tem medo de falar de suicídio na escola?

(Imagem: Shutterstock. Intervenções: Lucas Magalhães)

A prevenção é norteada pelo conhecimento dos fatores de risco e a desconstrução de mitos em torno do comportamento.

“Na escola em que eu trabalho, a gente teve uma aluna que se suicidou em 2014. Abalou muito a todos e, de uma forma geral, eu acho que ninguém soube muito o que fazer. Nem os professores, nem a direção. Ficou todo mundo em choque. Aparentemente estava tudo bem com ela. Mesmo depois de um tempo que recebemos a notícia, o sentimento pra gente não passa. Continua em nós que éramos funcionários e acredito que pros alunos também, principalmente para os que tinham mais convívio.”

A série “13 Reasons Why” (“Os 13 Porquês”) trouxe à tona alguns temas tabus dentro e fora das escolas. Suicídio talvez seja o maior deles. Não é algo que a mídia trate com abertura ou que a sociedade, de forma geral, debata sem julgamento. O tema é delicado, difícil de abordar e, exatamente por isso, temos poucas informações sobre como tratá-lo.

O depoimento que abre esta reportagem surgiu no evento sobre Clima Escolar realizado por GESTÃO ESCOLAR e Nova Escola no último dia 27. Reunimos 30 educadores para debater bullying, saúde mental, automutilação, campanhas preventivas e a parceria da escola e família a partir de situações de “13 Reasons Why” que perpassam corredores, salas de aula, pátio, banheiros e outros ambientes. Dezenas de relatos mostraram a ânsia e necessidade de trabalhar o clima escolar. “Nós sabemos ensinar Português ou Matemática, mas não sabemos o que fazer com um tema que é o calcanhar de Aquiles da escola, que é a convivência”, diz Luciene  Tognetta, professora de psicologia escolar da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem).

VEJA TAMBÉM: ‘13 Reasons Why’: Uma série polêmica abre caminho para o diálogo

De acordo com Gustavo Estanislau, especialista em Psiquiatria da Infância e da Adolescência e integrante do grupo Cuca Legal, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que promove a saúde mental nas escolas, o diálogo e a escuta sensível com os alunos é essencial. “A pessoa que se suicida, geralmente, dá um sinal duas semanas antes para alguém. Saber um pouco sobre transtornos mentais pode ajudar mais nesse momento”, indica.

Ao desconfiar que algo não vai bem com um estudante, vale chamá-lo para uma conversa - mas não só nesses casos, para que o estudante não associe que toda conversa ao fato de algo estar errado. “Um fator de risco psicológico muito grande para uma pessoa que pensa em cometer suicídio é a desesperança. Parece um sentimento difuso, mas uma forma de acessar a desesperança em uma pessoa que está triste é perguntar, por exemplo, quais são os planos dela para um momento futuro, por exemplo, o que ela pensa em prestar no vestibular”, propõe o psiquiatra. “A pessoa que está muito desesperançosa vai falar que não está pensando naquilo. Quando a pessoa demonstra que está pensando no futuro, ela mostra que tem pelo menos uma perspectiva”, explica.

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